sábado, 20 de agosto de 2016

Smartphones: abuse e use?

Os celulares smartphones fazem parte do cotidiano da grande maioria das pessoas. Para muitos, seu aparelho faz falta como se fosse membro do seu próprio corpo! Há relatos de usuários com sintomas dos mais variados, desde problemas de coluna até distúrbios psicológicos. Já existe doença específica decorrente de uso excessivo de um aplicativo que é fenômeno. Um novo jogo causa sensação ao provocar um cruzamento entre mundo virtual e real.

O objetivo desta postagem é colocar os fatos. Dados de pesquisas, relatos e estatísticas de modo que cada um possa tirar suas próprias conclusões.

Pokémon GO


Pokémon GO
1-Pokémon GO


Em primeiro lugar, o jogo de celular febre do momento traz muitas boas oportunidades, segundo análise do Pe Clóvis em entrevista à rede Canção Nova [1]: "Um dos lugares [onde se pode 'caçar' Pokémons] são as igrejas, porque são lugares frequentados por muitas pessoas" (...) Se há muitas pessoas falando sobre isso, dá para conversar sobre o Pokémon e puxar outros assuntos também. Daqui a pouco vamos conseguir entender que a relação humana é mais interessante que o próprio jogo, que foi apenas a isca".

Pokémon GO usa uma interface digital sobre a realidade, chamada realidade aumentada, aproveitando localizações, mapas, pontos turísticos e de interesses para lançá-los na interface digital. O smartphone conectado à internet funciona como instrumento para ver esta interface. Aí está o diferencial. Devido a isto, promove a interação humana, estimula as pessoas a buscar shoppings, pontos turísticos, igrejas e centros, segundo o padre.

Porém, os excessos naturalmente trazem consequências. "O jogo como diversão ou ocupação?" - questiona a equipe do site padrepauloricardo.org. Mais à frente listarei dados sobre as consequências do uso indiscriminado dos smartphones em geral.

Outro ponto que chama a atenção no sentido de ter cuidado é a oportunidade para assaltantes. Um grupo de jovens nos Estados Unidos utilizou o aplicativo para monitorar o movimento de jogadores e assaltá-los, destaca matéria no portal G1 [2].

Há também a questão da privacidade: "Para se cadastrar e utilizar o game, é necessário concordar com o contrato de privacidade oferecido pela desenvolvedora. Muitos usuários, no entanto, afirmam que os termos no texto abrem possibilidades para que a empresa tenha acesso a contas inteiras no Google, desde e-mail ao editor de textos e outros aplicativos. O aplicativo ainda registra as localizações do jogador ao longo do tempo, além de verificar qual o último site visitado" - aponta a mesma matéria do G1.


"Whatsappinite" !?

Whatsapp
2-Whatsappinite

A primeira vez que vi o termo a reação imediata foi de riso. Como? Agora tem "doença de aplicativo"? O artigo de Paulo Guilherme no portal Tecmundo [3] define como doença de quem exagera no uso de smartphone. Whatsappinite é uma junção do nome do aplicativo-fenômeno com tendinite. "Uma mulher de 34 anos foi diagnosticada com essa doença, mostra a revista espanhola de medicina 'The Lancet', segundo a Folha de São Paulo." - informa Paulo no artigo. A mulher começou a sentir fortes dores nas mãos e polegares causada após passar 6 horas trocando mensagens no Whatsapp. O ortopedista Mateus Saito chamou a atenção de que estes aparelhos não estão adaptados a um uso tão constante e repetitivo.


Crianças insensíveis

Uso de smartphones e a insensibilidade infantil
3-Uso de smartphones e a insensibilidade infantil
Outro pequeno artigo da Tecmundo [4] chama a atenção num ponto delicado. Rodrigo Françozo destaca um estudo realizado pela Universidade da Califórinia, relacionando o exagero das crianças no manuseio de equipamentos digitais com a dificuldade de reconhecer emoções em outras pessoas. 105 crianças divididas em 2 grupos foram observadas durante 5 dias, um grupo num acampamento sem acesso a equipamentos eletrônicos, enquanto o outro grupo com pleno acesso. O resultado, resumindo, foi favorável ao "primeiro time" que foi submetido ao "retiro" longe de tecnologia. Este teve uma notável melhora na capacidade de reconhecer emoções em outras pessoas, enquanto o outro time não avançou neste quesito. Uma pesquisadora do estudo, Yalda Uhis, alertou da impossibilidade de aprender a ler sinais não-verbais, a partir de uma tela, com a mesma desenvoltura com que se aprende pessoalmente, perdendo habilidades pessoais importantes. O conselheiro britânico para questões de infância Reg Bailey criticou o uso excessivo de equipamentos eletrônicos. Ele disse que os país estão deixando as "telas assumirem o controle" e recomendou que as famílias conversem mais. Bailey recomendou "refeições sem telinha" como modo de incentivar o contato pessoal das pessoas.


"NCA - Navegadores Compulsivos Anônimos" ?

vício em bebida
4-Vício em internet = vício em bebida
É sabido ao longo de milênios o quão vasta é a alma humana. As variações das emoções, sensações e inspirações são inumeráveis. E isto tanto emoções boas como ruins. Por mais que os recursos hoje disponíveis sejam resultado de excelentes inspirações, há sempre o outro lado da moeda. Toda a tecnologia digital hoje tão comum como outrora o era os bens da manufatura, são bons frutos de mentes brilhantes, no entanto os efeitos dependem dos mais variados estados mentais dos que desfrutam de tal tecnologia.

Os smartphones em especial são frutos da capacidade humana de imaginar e edificar usando dos recursos naturais. Unem telefone, relógio, despertador, calendário, calculadora, rádio, televisão, tocador de música, internet... Tudo num só aparelho. Unem pessoas dissolvendo milhares de quilômetros transmitindo vozes, textos, vida pelos ares. Porém é capaz de entorpecer, provocando efeitos no cérebro similares ao álcool e a cocaína. 

Especialistas alertam dos perigos do vício em estudos recentes [5]. Sérgio Matsuura em artigo do globo.com demonstrou os resultados de estudos como o de Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas dos Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. 75% dos brasileiros não saem de casa sem o aparelho e sentem ansiedade quando da ausência do dispositivo. Pesquisadora do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Anna Lúcia Spear King, indicou segundo o artigo que a dependência patológica está ligada a um transtorno de ansiedade, como pânico ou fobia social. Anna é pioneira no estudo científico da nomofobia, nome cunhado na Inglaterra para descrever o medo de ficar sem celular (no + mobile + fobia). A professora de piano Olga de Lena relatou a sensação de ficar sem o seu celular como desesperadora. Sentiu-se doente como se estivesse faltando uma parte dela. Para as crianças a tecnologia tem funcionado como babá eletrônica; provoca o isolamento em festas infantis, o que interfere no desenvolvimento emocional, segundo Nabuco. Ele recomenda evitar dar smartphones ou tablets para crianças muito novas e monitorar como os filhos usam a internet. Cristiano aconselhou um mínimo de uma hora por dia longe do celular, ao lado de atividades ao ar livre com encontros presenciais. Há até um teste de dependência que pode ser feito no endereço dependenciadeinternet.com.br.


"Caducar" não tem idade!

Esquecimento
5-Problema de memória


Psicólogos observaram o quanto a memória sofre em decorrência de ficar longo tempo na internet.

Renata Silva colocou em artigo para o site Ciência 2.0 [6] vários dados interessantes. A psicóloga e mestra Daniela Silva da Universidade do Minho, e Pedro Albuquerque, líder de um grupo de investigação da memória humana na mesma instituição, notaram que a atenção dividida em vários assuntos prejudica a memória. Como os aparelhos possuem uma grande capacidade de armazenamento de informações, não sentimos necessidade de memorizar -ressalta Daniela, comprometendo nossa capacidade de reter e de evocar conteúdos.

Lembro o tempo em que nas festas as pessoas usavam câmeras digitais. Nada de mandar fotos imediatamente para redes sociais após tiradas. Era necessário conectar o aparelho no computador com um cabo USB e transferir as fotos. E as pilhas recarregáveis? Como não dava para recarregar usando a câmera...

Um estudo publicado em 2013 apontou os efeitos do ato de fotografar na nossa capacidade de reter informação, segundo a psicóloga Linda Henkel da Universidade de Fairfield, em entrevista à BBC. Na ânsia de capturar o momento, perdemos o que se passa à nossa frente, afirmou Linda. Por outro lado, Pedro Albuquerque, investigador, defende o contrário. Ele vê um ponto positivo no sentido da fotografia servir como registro para despertar a memória mais tarde. Após muitos anos podemos resgatar momentos, lembranças de entes queridos e lugares que visitamos...


Escola vs Smartphone: quem ganha?


Smartphone na escola
6-Smartphone na escola
"Os celulares possuem alto poder de atração, muitíssimas vezes maior que o da aula arduamente planejada pelo professor." - afirmam Ângela Mendonça - pedagoga e Fernando Guiraud - psicólogo, em artigo no site do Ministério Público do Paraná [7]. Como os estudantes hoje se acostumaram cedo a usar celulares em todos os lugares, na escola não é diferente. Banalizam o uso do dispositivo, além de tenderem a priorizar cada um o seu próprio interesse, não importando com os outros do meio em que estão. A proposta de Ângela e Fernando é, resumindo, promover com os meios legais disponíveis a observação dos deveres por parte dos alunos: respeitar os direitos de seu próximo, o que serve para os professores também naturalmente. Creio eu que antes de tudo o exemplo vem de casa, o que a experiência confirma.

Concluindo, é fundamental ter em mente um fato que pesa em todos os casos: nenhum grupo humano funciona de maneira uniforme 100%. Por mais que seja necessário colocar regras, limites ou normas, esperar que todos os cumpram é utópico. Todo grupo de pessoas corresponde a uma idéia de um proposta a outros. Os membros do grupo concordam em seguir as normas mecanicamente em geral, com exceções e variações. A experiência mostra isso: de um grupo de Whatsapp nunca se espera que todos conversem sobre o tema do grupo o tempo todo; numa sala de aula nunca, nunca acontece de todos lá estarem interessados unicamente em aprender; num ambiente de trabalho a mesma coisa: sempre há o "caxias", o mais ou menos, o enrolador...

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Referências:

[1] Pokémon, uma febre mundial. Disponível neste link. Acesso em 19/08/2016


[2] 'Pokémon Go': veja respostas às principais perguntas sobre o game. Disponível neste link. Acesso em 19/08/2016


[3] Whatsappinite: conheça a doença de quem exagera no uso do smartphone. Disponível no link. Acesso em 20/08/2016


[4] Uso de smartphones e tablets pode insensibilizar a criançada, afirma estudo. Disponível neste link. Acesso em 20/08/2016


[5] Cuidado: uso excessivo de internet e celular pode viciar. Disponível neste link. Acesso em 20/08/2016


[6] Ciência 2.0 - Uso e abuso das tecnologias: Quem paga é a memória. Disponível neste link
Acesso em 20/08/2016


[7] Considerações sobre o uso e o abuso de celulares, nas instituições escolares - Centro de Apoio Operacional e do Adolescente. Disponível no link
Acesso em 20/08/2016

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